O que as operações de A&B mais inovadoras do mundo estão fazendo e o que dá pra aplicar no teu negócio.
Acessa os aprendizados das visitas técnicas da NRA Show 2026, traduzidos pra realidade do teu negócio de alimentos e bebidas.
Vídeos, análises e insights do foodservice internacional com foco em aplicabilidade pra pequenos negócios do RS.
DUE’S PIZZA
A Due’s Pizza faz parte de uma das histórias mais conhecidas da gastronomia de Chicago. Tudo começa em 1943, com a abertura da Pizzeria Uno, a primeira a servir a deep dish pizza: massa alta, bastante recheio, molho em camadas. Com o sucesso da Uno, a Due’s foi inaugurada em 1955, ajudando a consolidar a deep dish como um dos grandes símbolos gastronômicos da cidade.
Oito décadas depois, a fila na porta continua e mostra como um produto pode ganhar força muito além do prato quando existe história, identidade e uma experiência ligada ao lugar.
A deep dish pizza nasceu de uma escolha intencional de fazer diferente: em vez de replicar o que já existia, a Uno criou um estilo próprio, com personalidade, que virou assunto e passou a fazer parte da experiência de visitar Chicago;
O produto carrega identidade de origem: a deep dish não é só uma pizza diferente, ela é de Chicago. Essa associação local e cultural transforma o consumo em experiência e o restaurante em destino;
A proposta se manteve coerente ao longo do tempo. Não houve muita mudança, houve consistência. E é essa consistência que sustenta a relevância por décadas.
O que vira prática para os pequenos negócios:
FULTON MARKET DISTRICT
O Fulton Market District mostra como gastronomia, cultura e economia criativa podem transformar uma região inteira. O bairro, que durante muitos anos funcionou como área industrial e pouco movimentada de Chicago, virou um dos pontos mais valorizados e visitados da cidade ao reunir restaurantes, bares, galerias de arte e novos negócios que reconstruíram a identidade do lugar.
O McDonald’s também faz parte dessa transformação, com sua sede em Chicago, a Hamburger University e um restaurante conceito que oferece itens do cardápio internacional da marca, transformando uma operação global em ponto de visita e descoberta.
A revitalização do bairro foi impulsionada pela concentração de diferentes tipos de negócios que passaram a gerar fluxo uns para os outros: a força compartilhada acabou valorizando todas as operações ao mesmo tempo;
Quando existe uma identidade coletiva forte para uma região, o fluxo deixa de depender de uma única marca e passa a ser impulsionado pela experiência completa que o bairro oferece;
O McDonald’s usa a localização e o conceito do restaurante internacional para transformar uma visita de rotina em experiência: exclusividade e experimentação que geram movimento, mesmo dentro de uma marca que já muito conhecida.
O que vira prática para os pequenos negócios:
GIN ALLEY
O Gin Alley é um beco revitalizado dentro do Fulton Market que concentra em poucos metros operações de gastronomia, bares e cafés, entre eles o Trivoli Tavern, o The Bandit e o Sawada Coffee. A estética industrial preservada, a iluminação baixa e a circulação orgânica entre os pontos criam um ambiente voltado para descoberta e convivência.
O que chama atenção não é uma operação específica, mas o conjunto. O fluxo não pertence a nenhuma marca em particular: pertence ao Gin Alley como experiência.
A força da localidade valoriza todos os negócios ao redor: quando existe uma identidade coletiva consolidada, a atração passa a ser o espaço, não apenas uma operação específica dentro dele;
A combinação de diferentes propostas de consumo num ambiente intimista incentiva permanência, circulação e experimentação. O cliente fica mais tempo e consome mais naturalmente;
Atmosfera e estética trabalham como parte do produto: a arquitetura industrial, a iluminação e o design do beco são parte do que as pessoas vão até lá viver.
O que vira prática para os pequenos negócios:
GARRETT POPCORN
A Garrett Popcorn Shops transformou um produto simples em símbolo de Chicago. Quem visita a cidade ouve falar da Garrett. Quem mora lá volta. E quem prova o Chicago Mix, a combinação de caramelo e queijo que é a assinatura da marca, dificilmente esquece.
Chicago também é conhecida por outros alimentos que viraram atrações: a deep dish pizza, o Italian beef e o Chicago-style hot dog. Nenhum deles é sofisticado. Todos são inesquecíveis porque carregam história, personalidade e uma forma própria de consumo.
A Garrett não compete por ingrediente ou por técnica: compete por identidade. O Chicago Mix é a assinatura da marca, um sabor que só existe ali, naquela combinação, naquele jeito de fazer;
Embalagem marcante, experiência de loja e consistência criam uma jornada que vai muito além da compra e faz o cliente querer contar pra alguém o que acabou de provar;
A pipoca, a deep dish, o hot dog e o Italian beef mostram que um produto não precisa ser sofisticado para se tornar referência. O que transforma algo comum em ícone é a clareza de identidade e a consistência ao longo do tempo.
O que vira prática para os pequenos negócios:
STARBUCKS RESERVE ROASTERY
A Starbucks Reserve Roastery de Chicago mostra como uma marca global pode usar um único ponto físico para entregar uma experiência completamente diferente do que o consumidor já conhece. A loja trabalha com diferentes ambientes, produtos exclusivos, drinks e modos de preparo que não existem nas unidades convencionais e merchandising, criando uma jornada que faz as pessoas permanecerem mais tempo e saírem com algo pra contar.
A visita deste ano trouxe também uma observação sobre evolução operacional: no ano passado, um gargalo de atendimento impactava a experiência em contraste de um conceito tão bem construído. Neste ano, novos totens de autoatendimento foram implementados, refletindo como a operação pode acompanhar o crescimento da demanda sem descaracterizar a experiência do espaço, que se mantêm com atendimento humano.
Cada andar funciona como um ambiente distinto, com proposta e experiência próprias, incentivando a circulação, aumentando o tempo de permanência e multiplicando as oportunidades de consumo;
Produtos exclusivos e experiências que não existem nas unidades convencionais transformam a visita numa ocasião especial, não numa parada de rotina;
O que vira prática para os pequenos negócios:
BEATRIX
O Beatrix é um restaurante, cafeteria e ponto de encontro criado pela Lettuce Entertain You Enterprises, um dos grupos gastronômicos mais relevantes de Chicago, com unidades em alguns dos bairros mais movimentados da cidade. A proposta não é uma especialidade técnica ou um conceito de nicho: é fazer parte do cotidiano e funcionar muito bem o dia inteiro.
A operação combina café, restaurante, bar e conveniência num mesmo espaço, atendendo desde quem entra para pegar um café rápido antes do trabalho até quem faz reunião, almoço, happy hour ou um jantar em grupo. Cada momento do dia tem seu cardápio, seu ritmo e seu público, e o ambiente sustenta tudo isso com identidade e qualidade.
Estrutura de aproximadamente 6.700 m² com 54 cozinhas privadas, cozinhas compartilhadas, áreas de armazenamento, docas de carga e descarga e salas para eventos, tudo com custo abaixo do mercado;
Aceleradora de seis meses que transforma ideias em produtos prontos para o mercado, com foco em validação de conceito, desenvolvimento de operação e viabilidade comercial;
Suporte técnico gratuito de um cientista de alimentos e um chef especializados, apoiando desde ajuste de receitas até escalabilidade, shelf life e formulação nutricional;
No último ano: 34 workshops, mais de 800 horas de mentorias gratuitas e eventos com especialistas em varejo, distribuição, embalagem e marketing;
Enquanto cerca de 80% das startups americanas encerram até o terceiro ano, aproximadamente metade dos negócios que passaram pelo The Hatchery seguem ativos após cinco anos.
O que vira prática para os pequenos negócios:
THE HATCHERY
O The Hatchery é uma incubadora pra empreendedores do setor de alimentos e bebidas, localizada em Chicago. Faz parte da ICNC (Industrial Council of Nearwest Chicago), organização sem fins lucrativos com mais de 60 anos de atuação em desenvolvimento econômico, com foco em comunidades historicamente menos favorecidas, especialmente negócios liderados por mulheres e pessoas negras.
A estrutura surgiu de uma necessidade: muitos pequenos negócios de alimentação precisavam investir pesado em cozinha e adequações legais antes mesmo de saber se o produto tinha mercado. O The Hatchery foi construído para atuar nesse desafio, proporcionando o espaço pra esses produtos e negócios surgirem e se ajustarem, antes de investir nos próximos passos.
Operação estruturada em diferentes momentos do dia: café da manhã, almoço, produtos prontos para retirada, happy hour e jantar convivendo no mesmo espaço físico;
Cardápio do restaurante atualizado sazonalmente, renovando a experiência para clientes recorrentes; a área de mercado grab & go funciona com uma temática gastronômica diferente a cada semana, como italiana, grega, francesa, criando motivo de retorno constante;
O café da manhã é o principal motor de faturamento da unidade, com cerca de 190 clientes diários e ticket médio entre US$ 19 e US$ 20; o modelo grab & go pode atender entre 1.000 e 2.000 pessoas por dia;
Hospitalidade como pilar da operação: o processo seletivo já filtra perfis alinhados ao atendimento que a marca quer entregar, e o treinamento é conduzido por profissionais dedicados exclusivamente à capacitação;
Tecnologia usada com critério: tablets agilizam a comunicação com a cozinha, mas em grupos maiores a equipe registra manualmente, já que nessas mesas as mudanças nos pedidos acontecem com frequência. A tecnologia existe para apoiar a equipe, não pra substituir a experiência dela.
O que vira prática para os pequenos negócios:
CAFE BA-BA-REEBA!
Aberto em 1985, o Cafe Ba-Ba-Reeba! foi um dos primeiros restaurantes dos Estados Unidos a popularizar as tapas espanholas num país onde o conceito ainda era praticamente desconhecido. Também faz parte do grupo Lettuce Entertain You e, quarenta anos depois, continua relevante e movimentado, justamente porque soube evoluir sem se descaracterizar.
O restaurante atende cerca de 350 pessoas no salão e mais 50 no bar, movimentando aproximadamente US$ 13,5 milhões por ano. A força da operação não está num único prato ou num truque de marketing: está numa lógica muito clara de como espaço, cardápio e experiência trabalham juntos para manter o cliente presente, consumindo e voltando.
O modelo de compartilhamento é o coração do negócio: a dinâmica de tapas estimula pedidos sucessivos e interação entre as pessoas da mesa, aumentando o ticket médio de forma natural, sem que o cliente sinta que está gastando mais;
Ambientes flexíveis permitem que o restaurante funcione pra diferentes tamanhos de grupos e eventos privados, gerando receita além do fluxo tradicional;
A cozinha opera com muito pré-preparo e finalizações simplificadas, sustentando o alto volume, que chega até mil clientes em datas especiais, sem perder velocidade e consistência;
Grande parte dos ingredientes vem diretamente da Espanha, incluindo vinhos, azeites, embutidos e queijos: autenticidade que reforça a narrativa da marca sem tornar a experiência inacessível;
O ambiente é constantemente atualizado para continuar atraindo um público mais jovem, principalmente entre 25 e 35 anos, com o bar e o happy hour como peças centrais da jornada.
O que vira prática para os pequenos negócios:
RH ARTS CLUB CAFÉ (3 ARTS CLUB CAFÉ)
O 3 Arts Club Café fica dentro da loja da RH em Chicago, uma das maiores redes de móveis e design de interiores dos Estados Unidos. O prédio, construído em 1914, funcionou como internato para mulheres artistas e estudantes, e essa herança conversa com o que o espaço é hoje: um lugar que mistura arte, gastronomia, design e convivência de um jeito que faz sentido permanecer ali, mesmo sem a intenção de comprar nada.
O café surgiu como apoio para quem passava horas escolhendo móveis com designers, mas cresceu além do planejado e se tornou um dos principais atrativos do espaço por si só.
O café funciona como um terceiro lugar, nem casa nem trabalho, onde as pessoas vão para desacelerar, encontrar alguém ou simplesmente passar um tempo. Esse tipo de espaço cria conexão com a marca de forma muito mais orgânica do que qualquer vitrine;
Parte dos móveis e peças presentes no ambiente fazem parte dos showrooms da loja e podem ser comprados: design e hospitalidade integrados numa mesma experiência;
Alto padrão percebido em tudo: atendimento, iluminação, conforto, arquitetura e tempo de permanência fazem parte da experiência tanto quanto o cardápio;
O restaurante funciona separado da loja, mas fortalece toda a percepção da marca. Quem vive bem aquele espaço passa a associar aquela sensação à RH.
O que vira prática para os pequenos negócios:
HARRY CARAY’S ITALIAN STEAKHOUSE
O Harry Caray’s Italian Steakhouse fica num prédio histórico de Chicago e carrega uma lição importante: história também é produto. E quando uma operação entende isso, ela passa a vender muito mais do que comida.
O restaurante homenageia Harry Caray, narrador esportivo icônico da cidade, muito ligado ao baseball em Chicago. Essa escolha cria uma identidade construída sobre cultura local, memória afetiva e entretenimento. O cliente não vai só jantar: vai viver um pedaço da história da cidade.
Durante a visita, conhecemos os túneis subterrâneos do prédio, construídos originalmente para abastecimento logístico e que acumularam camadas da história de Chicago, inclusive da era da Lei Seca. Em vez de esconder esse passado, o restaurante o transforma em experiência o tempo inteiro.
O prédio histórico, os túneis e o universo de Harry Caray fazem parte do produto: a narrativa da marca é tão forte quanto o cardápio;
Diferentes ambientes adaptáveis para eventos, grupos e experiências privadas ajudam a movimentar o restaurante além do fluxo tradicional e a gerar receita complementar;
Cultura local e memória afetiva como eixos da identidade: o cliente cria conexão emocional com o lugar antes mesmo de pedir o prato;
Entretenimento como estratégia de permanência: histórias, ativações e ambientes que estimulam interação transformam o restaurante em ponto de encontro.
O que vira prática para os pequenos negócios:
MARSHALL’S LANDING
O Marshall’s Landing fica dentro do Merchandise Mart, um dos prédios comerciais mais icônicos de Chicago. A operação entende que localização não é só endereço: é contexto, é público, é experiência antes mesmo de o cliente sentar.
O espaço funciona como ponto de encontro para o público corporativo da região, com happy hours, reuniões e eventos ao longo do dia. Não é um restaurante tradicional de fluxo: é um espaço construído para que as pessoas queiram permanecer e consumam enquanto isso.
A arquitetura histórica do prédio, a vista para o rio e o design do ambiente contribuem para a percepção de valor: parte dos móveis vem dos showrooms do próprio Merchandise Mart e pode ser comprada;
Bebidas como motor de rentabilidade: o happy hour tem papel central no faturamento e o ambiente é pensado para incentivar permanência e consumo ao longo do tempo;
Operação dimensionada para alto volume corporativo, com logística organizada para cafés, eventos e reuniões de centenas de pessoas, incluindo identificação de ingredientes e sinalização para alergênicos;
A lógica não é servir refeições rápidas: é criar um espaço onde as pessoas queiram ficar e onde o consumo acontece de forma natural a partir disso.
O que vira prática para os pequenos negócios:
Olha pro teu espaço com os olhos de quem entra pela primeira vez: iluminação, conforto, atmosfera e organização influenciam diretamente quanto tempo o cliente fica e quanto consome;
Bebidas, drinks, cafés e combinações especiais podem ser explorados como alavancas de margem. Muitas vezes esse espaço no cardápio está subutilizado;
Happy hour e experiências de convivência ajudam a transformar o negócio num ponto de encontro, e quem frequenta por esse motivo tende a voltar com mais regularidade;
Estruturar o espaço para grupos e eventos, mesmo que pequenos, já abre uma frente de receita que não depende do fluxo do dia a dia.
CABRA
O Cabra é o restaurante da chef Stephanie Izard em Chicago e, desde a entrada, já comunica que tem personalidade própria. O nome carrega mais de um significado ao mesmo tempo: conecta o sobrenome da chef, usa a cabra como símbolo visual da marca e ainda faz referência à expressão do mundo dos esportes para “o melhor de todos os tempos”. A escolha diz muito sobre como a marca foi construída e sobre o nível de intenção por trás de cada decisão do negócio.
O restaurante recebe cerca de 500 pessoas por dia, chegando entre 800 e 1.200 em dias de maior movimento, com uma equipe de apenas 8 a 10 garçons no salão. Sete anos depois da abertura, boa parte da equipe original ainda está lá.
A retenção da equipe é tratada como resultado direto da cultura interna: os colaboradores têm espaço para dar sugestões, opinar sobre a operação e são valorizados por entenderem o salão melhor do que qualquer gestão consegue enxergar de longe;
Liderança vai além de conhecer o negócio: conhecer as pessoas da equipe, entender seus objetivos pessoais e buscar o crescimento delas dentro da operação é prioridade para o gerente. Isso muda a relação das pessoas com o trabalho;
O cardápio acompanha a sazonalidade dos ingredientes e os fornecedores são locais, garantindo frescor e proximidade com o território;
O rooftop é usado para ativações e eventos, gerando movimento orgânico para o restaurante sem depender exclusivamente do fluxo do dia a dia;
A marca cria senso de pertencimento: ver alguém usando algo do Cabra gera identificação, quase como fazer parte da mesma família.
O que vira prática para os pequenos negócios:
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